

Entretanto o que é desviante ou mau comportamento numa altura não o é necessariamente noutra e portanto tudo é relativo. Quando apareceram os telemóveis por exemplo seria impensável atendê-los à mesa ou no meio de uma conversa. Entretanto pelo que observo e leio os telemóveis vieram dar cabo das regras mais básicas de etiqueta: é habitual uma pessoa ser forçada a ouvir conversas das mais privadas de outrém em qualquer sítio público ou ver a sua conversa interrompida porque toca um telemóvel que imperiosamente tem de ser atendido logo ali ou chega uma mensagem que pelos vistos não pode esperar para ser lida. Atender o telefone durante um almoço ou jantar fora já é mais a regra do que a excepção. E nunca se sabe se a pessoa do outro lado da linha está ao telefone contigo enquanto vai à casa de banho, etc. e tal.
É como se este tipo de barreira anteriormente intrasponível fosse desaparecendo imperceptivelmente, sem que quase ninguém se desse conta e o contacto à distância se tivesse tornado mais importante do que o convívio com quem ali temos à frente. E o pior é que apesar de saber disto uma vez por outra me esqueço e faço precisamente o mesmo...
2 Comments:
Faz-me confusão como é que as pessoas não largam o telemóvel. Parece que é tão vital como o ar.
Mas sabes do que gosto mesmo? é de os ouvir tocar nos locais mais apropriados: cinema, casamentos, funerais, hospitais... E como se isso não fosse suficientemente mau, ainda atendem alto e bom som para toda a gente ouvir.
Podes crer, helena!... E ainda por cima pedem desculpa esfarrapadamente antes de o fazer; do estilo: «ai, perdão, mas vou ter que atender esta chamada». Às vezes penso que o telemóvel para alguns é mais vital até que o ar ;-)
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