
As calamidades naturais são trágicas e custam sempre demais em sofrimento, recursos humanos e materiais; parte da tragédia é por vezes também a maneira como os políticos locais encaram a questão e planeiam estratégias de apoio imediato, realojamento temporário, reconstrução. E como se isto não bastasse, há toda uma incompetência mediática completamente desnecessária em torno do processo de reportagem. Um bom exemplo foi a cobertura das terríveis enxorradas na Madeira recentemente: houve alguma cobertura nos periódicos dinamarqueses mas nem nada que se comparasse à vasta cobertura que houve do tsunami asiático ou do terramoto no Haiti – que envolveram um ou outro turista dinamarquês ou pelo menos escandinavos entre os mortos e/ou desaparecidos. E na televisão nem cheguei a apanhar menção da tragédia madeirense.
E é precisamente este o busilis da questão: se por acaso a calamidade se dá num sítio frequentado pelos compatriotas, a história segue-se e repete-se até fartar; mas como na Madeira pelos vistos praticamente só foram atingidos nacionais pouco se houve para além do absolutamente essencial – isto apesar de sermos todos europeus etc. e tal... que parcialidade absurda, pá!...
Numa das notícias que li não perderam porém a oportunidade de encher meia coluna só para mencionar que entre as vítimas havia uma inglesa... e...??? Pelo menos 47 eram “tugas” e esses só tiveram direito a uma linha...
4 Comments:
deixa lá. a sermos falados na imprensa internacional que seja por bons motivos e não só quando acontecem desgraças.
Pois, lá isso é verdade, papel... entretanto tenho cá a impressão de que o nosso pequeno país raramente ou nunca é badalado pela imprensa internacional - e não é nem porque nunca acontecem desgraças, nem por falta de coisas positivas. Hmmm... porque será então?
é Madeira, é Haiti, é Japão, é Hawaii... é que enjoa. deixa de ser jornalismo para ser sensacionalismo.
Nesse aspecto não podia concordar mais contigo, ‘ claudjinha :-P
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