quinta-feira, abril 03, 2025

Condução masculina
É preciso ter cautela com os protótipos e preconceitos. Entretanto eu conduzo todos os dias e vejo como predominantemente homens têm tendência a fazer manobras perigosas, quando ficam impacientes no trânsito: ultrapassam à maluca, passam o vermelho, ultrapassam o limite de velocidade à grande, etc. E não é coincidência nenhuma que os prémios dos seguros de automóvel serem mais altos para os homens abaixo dos 30, que são os que por causa desses comportamentos mais acidentes causam.
Mas alguém duvida? O que me espanta portanto é alguém ter sido escolhido como tema mais que batido para uma tese de doutoramento... mas foi o caso da investigadora e docente na Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP), Mariana Sebastião Machado. Estudo esse que também estabeleceu o que já cá se sabe, que há uma correlação entre ter comportamentos agressivos na condução e ver-se envolvido em acidentes de viação. Este não ganha nenhum Nobel.
Já outro estudo mais antigo de 2008 sobre o tema trouxe perspectivas novas: sabiam que os condutores mais agressivos de todos são aqueles que têm pendurezas no espelho do carro – por exemplo aquelas árvores aromáticas (wunderbaums) – autocolantes na traseira do carro e daqueles protectores de assentos. Também não me admira por completo, mas nunca tinha pensado especificamente nisso. Mas faz sentido: estas pendurezas pessoais são uma espécie demarcações de território na esfera pública.

quarta-feira, abril 02, 2025

Árvore vencedora

Este ano uma faia polaca (a garrida na foto de cima) localizada nas colinas de Dalkowskie passou a perna a uma figueira portuguesa, a dita Figueira dos Amores em Coimbra (na foto de baixo) no concurso da Árvore Europeia do Ano, que se tem vindo a repetir todos os anos desde 2011. A faia ficou em primeiro lugar com 147.000 votos e a figueira em segundo com 43.000 votos. Em terceiro veio um pinheiro espanhol com 37.000 votos (fraquinho 😉).
A figueira dos Amores é uma figueira-da-austrália plantada nos jardins da Quinta das Lágrimas, em Santa Clara, Coimbra, há 150 anos por um aristocrata qualquer que coleccionava árvores e que conseguiu sementes desta árvore Nativa das florestas chuvosas da costa Leste da Austrália  através do Jardim Botânico de Sydney. E já tem uns 35 metros de altura, 15 metros de perímetro de tronco e por volta de 40 metros de diâmetro de copa. Não está ali a brincar. Ou o seu outro nome não fosse Ficus macrophylla, ou figueira-estranguladora.
Pronto, a faia é deveras bonita e poungente e a sua história idem: dizem eles que une o pessoal e que se realizam muitas actividades debaixo dos seus ramos como concertos, encontros de clubes de leitura, workshops sobre silvoterapia e horticultura e até missas. Já o facto de a Polónia vencer pela quarta vez consecutiva me deixa com a proverbial pulga atrás da orelha...

terça-feira, abril 01, 2025

1 de Abril

Como sabem não celebro – e aliás abomino o Dia das Mentiras. Portanto o que vos vou relatar 100% verídico. Infelizmente. Li há dias que Paris ia fechar 500 ruas ao trânsito e acabar com 10 mil lugares de estacionamento, o correspeondente à eliminação de cerca de 10% dos lugares de estacionamento da capital francesa. E é só ideologia e um processo nada democrático, uma vez que só foram ouvidos na questão 55 mil dos cerca de 1,4 milhões de eleitores neste projecto que visa pedonizar e ecologizar as tais 500 ruas.
Boa sorte em resolver a situação aumentando a capacidade dos transportes públicos correspondentemente... já estão a ver o caos? Porque será que as capitais, ou melhor, as câmaras municipais das mesmas andam, com a mania de tornar grandes cidades em aldeias? Em Copenhaga é igual. Quem quer viver em aldeia campestre, que se mude para uma aldeia campestre.